A história do Dia Mundial da Limpeza: 40 anos dedicados a engajar a sociedade na prevenção da poluição do planeta.
A história do Dia Mundial da Limpeza: 40 anos dedicados a engajar a sociedade na prevenção da poluição do
planeta.
Criado em 1985 pela organização norte-americana Ocean Conservancy, o
“International Coastal Clean Up”, ou em tradução literal, “Limpeza Costeira
Internacional”, foi o primeiro movimento organizado no mundo a realizar
campanhas de limpeza em cidades costeiras, envolvendo comunidades inteiras, que
contribuíram para produzir algumas das primeiras pesquisas e relatórios sobre a
poluição nas praias e em seus ambientes associados.
A ideia de realizar a mobilização sempre na terceira semana de setembro
coincide com o final do verão no Hemisfério Norte. Ou seja, devido aos meses
mais quentes, as áreas públicas, como parques e praias, recebem um aumento
significativo de visitantes e, consequentemente, esses locais acabam ficando
mais sujos e poluídos. Assim, a ação nesse período se torna mais efetiva.
Com o trabalho já desenvolvido nos Estados Unidos, surgiu na Austrália,
em 1993, o projeto “Clean Up the World”, que traz como mensagem a frase “Limpe
o Mundo”. O projeto também se propôs a ser um programa de engajamento social
para a limpeza da costa australiana e das ilhas da Oceania.
Ambas as campanhas tiveram o mesmo foco de atuação. Porém, os
australianos incorporaram um diferencial executivo, promovendo anos temáticos
sobre clima, biodiversidade, juventude, florestas e comunidades, em um
calendário global que contou com a parceria do Programa das Nações Unidas para
o Meio Ambiente (PNUMA).
No total, as duas campanhas já mobilizaram mais de 50 milhões de
voluntários, distribuídos em cerca de 150 países, ao longo dos últimos 34 anos,
transformando-se em um amplo movimento global de mobilização e engajamento
comunitário no combate à poluição por resíduos sólidos.
No Brasil, as ações de limpeza inspiradas nos formatos norte-americano e
australiano chegaram ao país no final da década de 1990 e início dos anos 2000,
promovidas por organizações autônomas. Essas campanhas foram denominadas “Dia
Mundial da Limpeza” e “Dia Mundial da Limpeza em Rios e Praias”. Ambos os
títulos são usados até hoje por grupos, clubes, instituições da sociedade
civil, poder público, coletivos e empresas que lideram mobilizações em todo o
território nacional e promovem o Dia Mundial da Limpeza em setembro, mês
marcado pela chegada da primavera.
Mais tarde, em 2008, na Estônia, nasceu outro movimento de limpeza
denominado “World Cleanup Day”, que traduzido para o português significa “Dia
Mundial da Limpeza” — o mesmo nome historicamente utilizado no Brasil. Essas
ações, que começaram no Norte da Europa, cumprem objetivos semelhantes aos das
campanhas iniciadas nos anos 1980 e 1990 ao redor do mundo.
Contudo, o Dia Mundial da Limpeza, com seus diferentes nomes e
identidades visuais de acordo com cada país de origem, é um dos movimentos
globais de cuidado com o planeta mais inspiradores e efetivos que existem. Ele
cria momentos de conexão e reflexão, em que pessoas se unem para despoluir os
lugares onde vivem, frequentam, praticam atividades físicas, de lazer ou
esportivas, e muito mais. A ideia é simples: voluntários atuam na limpeza de
sua comunidade, transformando o ambiente em um local mais agradável e saudável
para se viver.
O Instituto Ecosurf, desde o ano 2000, mobiliza ações para a despoluição
das praias e promove o Dia Mundial da Limpeza na terceira semana de setembro.
Somando-se a esse esforço internacional, dezenas de grupos e organizações
distribuídas por todo o Brasil também fazem parte histórica desse movimento,
como a Associação Socioambientalista Somos Ubatuba (ASSU), Instituto Terra
& Mar, Projeto Jogue Limpo com Nossas Praias, Pampulha Limpa, Projeto
Limpando o Mundo, Instituto Monitoramento Mirim Costeiro (IMMC), SOS
Moçambique, Instituto BIOTA, projetos da Rede BIOMAR, Instituto Aqualung e
muitos outros, que lideram, em seus territórios e cidades, ações de acordo com
suas especificidades, capacidades de mobilização e organização de voluntários.
Qualquer cidadão pode ser um promotor e liderar o Dia Mundial da
Limpeza, independentemente de estar vinculado a alguma instituição ou
movimento. As atividades desenvolvidas no contexto brasileiro para a campanha
variam desde a coleta de lixo jogado em praias, rios e ruas, o monitoramento da
poluição, ações educativas, concertos ambientais, exibições fotográficas e de
filmes, plantio de árvores até a criação de centros de reciclagem, por exemplo.
Geralmente, as ações são realizadas em locais públicos, como praias, margens de
rios e córregos, parques e praças, definidos pelos grupos ou indivíduos que se
dedicam a organizar a celebração da data.
Semana Mares Limpos
Em 2017, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), em
parceria com o Instituto Ecosurf, em um esforço inédito, criou a #SemanaMaresLimpos,
com o objetivo de conectar e integrar grupos em todo o Brasil que atuam no mês
de setembro com campanhas voluntárias de limpeza nas cidades, constituindo uma
grande rede nacional – a Rede Mares Limpos de atores e organizações.
A intenção da #SML foi fortalecer esses grupos e amplificar suas vozes,
reconhecendo seu trabalho e dedicação, além de chamar a atenção para o impacto
que nossas atividades cotidianas têm no ambiente. Além disso, a semana
oportunizou a participação de escolas da rede pública e privada na realização
de ações de combate ao lixo nos rios e no mar.
A primeira edição da #SML foi um sucesso: em 2017, 136 grupos
brasileiros e 2 internacionais se inscreveram, mobilizando direta e
indiretamente quase 10 mil pessoas. As informações registradas por parte desses
grupos permitiram, através de um método próprio de catalogação de resíduos e
sistematização de dados, a realização do primeiro relatório nacional sobre os
tipos de resíduos mais encontrados a partir de ações voluntárias de limpeza. Os
dados apresentados serviram de alerta sobre hábitos de consumo que podem ser
modificados, além de evidenciar a necessidade de rever a produção e o descarte
de determinados itens.
Texto: João Malavolta
Com informações: Ecosurf, Ocean Conservancy, Clean Up The World, Let’s
Do It World e ONU Meio Ambiente.


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